Segunda-feira, 22 de Abril de 2013

Tenho vida mas não passo de um brinquedo

"A amizade desenvolve a felicidade e reduz o sofrimento,

duplicando a nossa alegria e dividindo a nossa dor"

 

Aquela sensação de tristeza e solidão dominava-a como que se ela fosse um animal doméstico.

Todos a apedrejavam, a deitavam abaixo, a desprezavam, a utilizavam… E, por esses motivos sentia-se como que fosse a única habitante de um mundo desértico… como se na vida da Terra só existisse ela e mais ninguém… ou o contrário? Ela não tinha certezas de o que era ela afinal… se era um nada que vivia na Terra, ou se era uma pessoa que vivia no nada… Talvez as duas porque na realidade é quase o mesmo… em ambas, não passa de uma simples pessoa para fazer número nas estatísticas de habitantes do mundo.

 

 

Num diário ela disse:

“Eu não sou de ferro, tenho sentimentos! Sou coração mole e por isso só me magoam. Abro rapidamente o meu coração às pessoas…afeiçoo-me demasiado a elas o que para mim é um grande defeito. Sim um defeito! Podia ser uma virtude se fosse correspondida por elas, mas não sou… pessoas que para mim são muito importantes, fazem de mim uma companhia nas horas em que não há mais ninguém… não passo de um boneco que só é utilizado quando é preciso (…).”

 

 

“Sou de boa memória, não esqueço as pessoas que já fizeram parte do meu dia-a-dia, não esqueço todos os momentos bons e maus que passei com elas, não esqueço o quanto já foram minhas amigas. Se erro? Sim eu erro, mas todos erram! Errar é humano. Será que mesmo sendo um nada nesta vida, não posso errar? A verdade é que não foram os meus erros que me afastaram dessas pessoas … essas pessoas é que fizeram dos meus erros um pretexto para se afastarem de vez e isso só mostra que o que eu sentia por elas, não era igualmente sentido por parte das mesmas.”

 

 

“Estou destinada a ser apenas eu. E o que neste momento poderei fazer é fingir que nada se passa, que nada me fazem de mal e refugiar-me neste cantinho a escrever para ti.”

 

 

 

Numa vida de desprezo, desvalorização, falta de atenção e carinho assim continuou a viver ou melhor dizendo, sobreviver àquela angústia, àquele sofrimento, àquela solidão …

 Suas ultimas palavras do livro :

“ Sou como no ToyStory, tenho vida mas não passo de um brinquedo.” 


publicado por nayta às 21:58

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